Na próxima terça-feira (25/8), o Provoca, apresentado por Marcelo Tas, recebe o psiquiatra Guilherme Polanczyk, especialista em saúde mental de crianças e adolescentes. Na conversa, ele aborda os impactos do uso excessivo de celulares e outras telas, a importância do exemplo dos pais na educação dos filhos, os cuidados com diagnósticos e o aumento da identificação de casos de autismo. A edição vai ao ar às 22h30, na TV Cultura.
Ao falar sobre o tempo de exposição às telas entre crianças e adolescentes, Polanczyk destaca que a educação começa pelo exemplo. “Sem dúvida, a melhor forma de educar é pelo modelo”, afirma. Segundo ele, quando os próprios pais permanecem constantemente conectados durante as refeições e em momentos em família, as crianças tendem a reproduzir esse comportamento. O psiquiatra também chama a atenção para os efeitos da exposição precoce às telas, que podem prejudicar o desenvolvimento da linguagem e, posteriormente, estar associados a dificuldades de interação social, ansiedade e depressão.
Polanczyk também comenta a necessidade de cuidado diante do excesso de diagnósticos, incluindo os de autismo. Para ele, embora um diagnóstico possa orientar o tratamento e validar o sofrimento de uma pessoa, existe o risco de que ele se transforme em um rótulo ou em uma narrativa que limite a identidade de crianças e adolescentes. “O diagnóstico não é para isso”, explica.
Durante o bate-papo, o psiquiatra alerta ainda para vídeos que apresentam listas de supostos sintomas de transtornos e podem levar adolescentes a se identificar com determinados diagnósticos sem uma avaliação profissional. Ao comentar a confiabilidade do autodiagnóstico disponível na internet, ele é categórico: “Eu vou simplificar e dizer que não tem”. Para o especialista, a busca por ajuda deve considerar padrões de comportamento e prejuízos que estejam afetando a vida da criança, do adolescente ou da família.
Ao final, o convidado também reflete sobre uma das maiores perguntas da existência: “O que é a vida?”. A resposta passa pela experiência e pelos afetos: “A vida é essa coleção de perdas, ganhos, encontros, desencontros, momentos banais (…) Mas eu acho que o melhor jeito de responder para a gente mesmo essa pergunta é viver, é amar aqueles que a gente ama”.


