O mês de setembro é nacionalmente conhecido por consolidar a campanha Setembro Verde, um período dedicado à conscientização sobre a acessibilidade e a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. Em Minas Gerais, o movimento ganha força não apenas pelo debate de direitos, mas por iniciativas práticas que transformam o cotidiano em áreas como esporte, lazer, cultura e tecnologia.
Entre os grandes destaques do estado está o pioneirismo da Arena MRV, em Belo Horizonte, que implementou o projeto de jogo assistido para deficientes visuais. A iniciativa proporciona uma experiência imersiva e emocionante no futebol: torcedores cegos ou com baixa visão contam com audiodescrição em tempo real da partida, permitindo que sintam cada lance, a vibração da torcida e a emoção dos gols com autonomia e riqueza de detalhes sensoriais.
Mas o estado vai muito além do futebol, reunindo uma rede de programas estruturados que servem de referência em inclusão:
- Programa Superar (Belo Horizonte): Considerado um dos maiores programas públicos de esporte adaptado do país, oferece dezenas de modalidades gratuitas — como basquete em cadeira de rodas, goalball, natação, judô e bocha paralímpica —, promovendo a reabilitação, o convívio social e o surgimento de novos atletas paralímpicos em núcleos descentralizados.
- Salas de Recursos Inclusivas na Rede Estadual: O governo mineiro tem investido fortemente na reestruturação de salas de atendimento educacional especializado nas escolas estaduais, equipando-as com tecnologia assistiva de ponta (como computadores adaptados para estudantes com deficiência visual e auditiva) para garantir a permanência e o aprendizado pleno dos alunos.
- Inclusão Digital e Acessibilidade nos Tribunais: O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) tem adotado medidas como a implementação de softwares de acessibilidade em portais institucionais, a distribuição de cartilhas em Braille e a expansão do uso do Cordão de Girassol para identificação e amparo a pessoas com deficiências ocultas.
- Parques e Espaços Públicos Adaptados: Diversos municípios mineiros vêm ampliando a instalação de brinquedos adaptados em praças públicas e garantindo cotas estaduais robustas em programas habitacionais (como a reserva de 12% em moradias populares regulamentada por lei estadual), assegurando que o direito à cidade seja universal.
- Cultura e Turismo Acessíveis: Museus, centros culturais e pontos turísticos de Minas têm adotado adaptações arquitetônicas significativas, além de materiais táteis e tradução em Libras, transformando o rico patrimônio histórico mineiro em um território acessível para todos os públicos.
O Setembro Verde reforça que a acessibilidade não se resume a rampas e vagas reservadas, mas à garantia de protagonismo, dignidade e experiências completas. As iniciativas em Minas Gerais mostram que, quando o poder público, os grandes empreendimentos e a sociedade civil caminham juntos, a inclusão deixa de ser meta e se torna realidade.


