Em noite de gala no Teatro Cultura Artística, André Namitala transportou o público do São Paulo Fashion Week para uma viagem poética pelo Japão através da coleção Verão 27.
O Teatro Cultura Artística foi o cenário escolhido nesta sexta-feira (16) para um dos momentos mais aguardados da 61ª edição do SPFW. A Handred, sob a batuta afiada do diretor criativo André Namitala, apresentou a coleção “Vapor em Curso”, destilando na passarela a essência de sua recente imersão pelo território japonês.
Mais do que uma simples viagem de férias, a incursão de Namitala pelo Extremo Oriente transformou-se em uma profunda pesquisa sobre matéria, movimento e modernidade. O título poético da coleção homenageia a água como elemento de transmutação — aquilo que muda de estado sem jamais perder sua essência. “Fui em busca do Japão que havia imaginado e encontrei muitos outros”, comentou o estilista, revelando como o passado e o futuro coexistem na alfaiataria leve e fluida da marca.
Na passarela, o olhar estrangeiro e sensível da Handred traduziu ícones da cultura nipônica com maestria. Referências aos tradicionais sentō (casas de banho públicas) e aos aconchegantes ryokan ganharam forma em estampas de luzes e sombras em tons terrosos. O movimento Mingei, defensor da beleza no cotidiano e no artesanato, deu o tom ao lado de um sofisticado diálogo estético entre a geometria têxtil japonesa e o charme atemporal do Art Déco.
O figurino urbano e cosmopolita também bebeu da fonte das mogas (modern girls), revelando recortes precisos e sobreposições ousadas. No departamento dos tecidos nobres, destaque para o luxuoso Nishijin — tecido artesanal de Kyoto — em vibrantes tons de laranja e dourado, além da singeleza rústica do Tsumugi. Tudo isso arrematado pelo primor manual de bordados, paetês, vidrilhos e patchworks que já viraram assinatura da casa.
Ao lado de André, o stylist Antonio Frajado assinou a direção visual, consolidando uma parceria criativa que lapida, a cada temporada, a identidade sofisticada e descomplicada da Handred. Uma verdadeira travessia cultural que prova que a permanência e a impermanência caminham de mãos dadas — ou, neste caso, na ponta dos dedos e na leveza de um tecido em movimento.

Foto: Zé Takahashi/ @agfotosite

Foto: Gabriel Cappelletti/ @agfotosite

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