Até o dia 1º de junho, o público de Belo Horizonte poderá mergulhar em uma experiência artística sensível e provocadora. O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, reunindo esculturas, crochês e bordados da artista maranhense Marlene Barros.
Com curadoria de Betânia Pinheiro, a mostra propõe uma reflexão profunda sobre o corpo feminino, a histórica desvalorização das mulheres e a invisibilidade de seus fazeres no campo da arte. Ao transformar o gesto íntimo de costurar em linguagem artística, Marlene Barros converte agulha e linha em instrumentos simbólicos de memória, denúncia e resistência.
Entre os destaques da exposição está a instalação “Eu tenho a tua cara”, composta por 49 rostos de mulheres que compartilham olhos e bocas costurados, provocando reflexões sobre identidade e alteridade. Já “Caixa Preta” apresenta um autorretrato expandido por meio de fotografias, intervenções têxteis e escritos pessoais da artista.
Outra obra impactante é “Coso porque está roto”, um casaco cujo avesso revela órgãos bordados que simbolizam sentimentos e evocam a ideia de reparo emocional. A exposição também traz “Entre nós”, que utiliza objetos de crochê para questionar tarefas historicamente associadas ao universo doméstico, e “Quem pariu, que embale”, instalação que problematiza a atribuição quase exclusiva do cuidado dos filhos às mulheres.
A montagem expositiva, coordenada por Fábio Nunes, com produção executiva de Júlia Martins, propõe um percurso não cronológico, permitindo que cada visitante construa sua própria experiência entre matéria, gesto e memória.
Com mais de quatro décadas de trajetória, Marlene Barros consolidou-se como uma referência no cenário artístico do Maranhão. Além de sua produção autoral, a artista atua na formação cultural por meio do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM.
A exposição nasce de uma pesquisa desenvolvida durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, quando a artista propôs costurar simbolicamente uma casa em ruínas no campus Santiago, em Portugal — gesto que se transformou em metáfora para refletir sobre o corpo, a memória e as fissuras do tempo.
Instalada nas galerias do térreo do CCBB BH, “Marlene Barros: Tecitura do Feminino” tem entrada gratuita, convidando o público a percorrer um universo onde arte, memória e feminino se entrelaçam de maneira poética e potente.



