Quando os robôs entram na passarela e dividem cena com as modelos
O universo fashion sempre foi um laboratório de tendências, comportamento e inovação. Mas, nos últimos anos, um novo elemento começou a chamar atenção nas grandes semanas de moda internacionais: robôs desfilando lado a lado com humanos nas passarelas. O que parecia roteiro de ficção científica já virou realidade em eventos de moda de Paris, Xangai e Milão — e tudo indica que essa mistura entre inteligência artificial, performance e alta-costura está apenas começando.
O desfile que virou assunto no mundo
O caso mais emblemático aconteceu durante a apresentação da marca francesa Coperni, na Paris Fashion Week. A grife colocou cães-robôs da para interagir com as modelos durante o desfile da coleção outono/inverno 2023-2024.
Os robôs caminhavam pela passarela, carregavam bolsas, interagiam com o público e até retiravam peças das modelos em cena. O momento viralizou nas redes sociais e foi tratado pela imprensa especializada como um divisor de águas na relação entre moda e tecnologia.
Segundo os estilistas da Coperni, a proposta era criar uma reflexão sobre a convivência entre humanos e máquinas em um futuro cada vez mais automatizado. A apresentação foi descrita por muitos críticos como uma mistura de desfile de moda com episódio de “Black Mirror”.
A China já aposta nos humanoides
Em 2025, a tendência ganhou um novo capítulo durante a Shanghai Fashion Week, quando um robô humanoide da empresa entrou na passarela ao lado das modelos em um desfile conceitual da marca NMTG.
O robô interagia com as modelos, recebia acessórios e participava da coreografia do desfile, reforçando uma estética futurista que vem conquistando espaço principalmente nas apresentações mais conceituais da moda internacional.
Isso vai virar tendência?
Especialistas acreditam que sim — pelo menos no universo dos grandes espetáculos fashion. A moda sempre buscou surpreender e gerar impacto visual, e os robôs representam exatamente isso: inovação, viralização e conversa nas redes sociais.
Hoje, os desfiles deixaram de ser apenas vitrines de roupas e passaram a funcionar como experiências imersivas. Tecnologia, inteligência artificial, cenografia digital e performances robóticas ajudam as marcas a criarem momentos capazes de dominar a internet em poucos minutos.
Além disso, existe um fator estratégico: as novas gerações estão profundamente conectadas ao universo tecnológico. Marcas de luxo perceberam que unir moda e futurismo gera identificação imediata com o público jovem e digital.
Entre fascínio e polêmica
Apesar do encantamento visual, a presença dos robôs nas passarelas também provoca debates. Em fóruns e redes sociais, muitas pessoas enxergam a tendência como fascinante, enquanto outras demonstram desconforto com a ideia de máquinas ocupando espaços tradicionalmente humanos.
Ainda assim, a indústria fashion parece determinada a explorar esse caminho. Afinal, historicamente, a moda sempre antecipou comportamentos e refletiu os desejos — e também os medos — da sociedade contemporânea.
O futuro das passarelas
Talvez os robôs nunca substituam completamente as modelos humanas. O carisma, a emoção e a expressão ainda são elementos insubstituíveis. Mas tudo indica que veremos cada vez mais tecnologia dividindo espaço com pessoas nas grandes semanas de moda.
Porque, no fim das contas, o futuro já começou — e ele também desfila.


