por Carlos Augusto Calil
O Museu da Inconfidência apresenta nesta quarta, dia 08 de julho, o documentário de 1926, Minas antiga, realizado pelo cineasta de origem italiana, Igino Bonfioli.
Minas antiga foi encomendado pelo governador Melo Viana como filme educativo a ser exibido nas escolas do estado. Um filme oficial, portanto.
A sua reconstituição utilizou as imagens em nitrato de celulose depositadas na Cinemateca Brasileira por José Tavares de Barros, professor da Escola de Belas Artes da UFMG, em 1976.
As imagens foram duplicadas nessa época, o que as preservou, porém não sobrou cópia montada do filme. A sua reconstituição se baseou em anotações de funcionários da Cinemateca e pesquisas em fontes escritas.
Tudo indica que a encomenda foi uma resposta às advertências dos modernistas paulistas que visitaram Minas durante a Semana Santa, em abril de 1924. A viagem da “descoberta do Brasil” revelou o abandono a que estava relegado o patrimônio histórico do país. Monumentos, igrejas e obras de arte em franca deterioração, em vista da ideologia da República, de renegar o passado colonial.
Da “caravana modernista” participaram dona Olívia Guedes Penteado, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, entre outros, e Blaise Cendrars, poeta francês que visitava o Brasil. Foi ele quem alertou os brasileiros da necessidade de preservar os tesouros do barroco mineiro. E proclamou o Aleijadinho o maior escultor do século XVIII.
Cendrars, em 1924, e Mário de Andrade, em 1936, redigiram as primeiras versões de um projeto de instituição que redundará no SPHAN – Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Fruto da viagem a Minas.
Viagem de descoberta do Brasil profundo, ela marcou as obras de Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, que lançaram o Movimento Pau Brasil, primeira grande realização modernista.
Carlos Augusto Calil
Professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA/USP. Cineasta, ensaísta, editor de mais de 30 livros sobre cinema, fotografia, teatro, história e literatura. Foi Secretário Municipal de Cultura de São Paulo e dirigiu instituições como a Embrafilme, Cinemateca Brasileira e Centro Cultural São Paulo. Atualmente, preside o Conselho de Administração da Sociedade Amigos da Cinemateca. É idealizador e curador do programa Revisão Crítica do Cinema Brasileiro na Cinemateca Brasileira.
Cinemateca Brasileira
A Cinemateca Brasileira, maior acervo de filmes da América do Sul e membro pioneiro da Federação Internacional de Arquivo de Filmes – FIAF, foi inaugurada em 1949 como Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, tornando-se Cinemateca Brasileira em 1956, sob o comando do seu idealizador, conservador-chefe e diretor Paulo Emílio Sales Gomes. Compõem o cerne da sua missão a preservação das obras audiovisuais brasileiras e a difusão da cultura cinematográfica. Desde 2022, a instituição é gerida pela Sociedade Amigos da Cinemateca, entidade criada em 1962, e que recentemente foi qualificada como Organização Social.
O acervo da Cinemateca Brasileira compreende mais de 40 mil títulos e um vasto acervo documental (textuais, fotográficos e iconográficos) sobre a produção, difusão, exibição, crítica e preservação cinematográfica, além de um patrimônio informacional online dos 120 anos da produção nacional. Alguns recortes de suas coleções, como a Vera Cruz, a Atlântida, obras do período silencioso, além do acervo jornalístico e de telenovelas da TV Tupi de São Paulo, estão disponíveis no Banco de Conteúdos Culturais para acesso público.


